terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Beatriz


Olha,
Será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha,
Será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ah, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha,
Será que é uma estrela?
Será que é mentira? Será que é comédia?
Será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida. . .
Chico Buarque

......



Minha música preferida

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Web Liberdade: Quem é anormal na rede?


Confesso que sou amante das redes socias. Adoro um orkut, msn, facebook, twitter e mais ainda os blogs. Gosto da liberdade oferecida por esses sites, já que a humanidade ficou tanto tempo calada, é hora de se comunicar.


Nessas minhas "bisbilhotadas" entre um site e outro, sinto que as pessoas estão tomando rumos estranhos e preocupantes. Parecem forçar algo, principalmente algumas mulheres. Os atentados não se limitam apenas a boa escrita, mas também a própria imagem da mulher.


Comunidades do tipo: "A pegada é essencial", "Pan Americano", acho que o banco deve ter falido por causa dessa "música"; (quem tiver uma classificação para o gênero me comunique). Voltando ao assunto, as mulheres estão virando selvagens. A vida pessoal está sendo cada vez mais exposta a ponto de algumas pessoas ficarem nuas na web cam. Sim é isso mesmo, a câmera do computador transmite ao vivo no msn ou twittercan cenas de sexo e corpos nus.


Será que sabemos aproveitar a liberdade da internet? Hoje encontrei algo de extremo valor pessoal para mim no you tube. Como admiradora e amante da obra de Clarice Lispector, hoje achei a sua única entrevista televisiva. Foi gravada em 1977 pela TV Cultura. Eu que só a vi em fotos e por livros, pude ouvir a voz da melhor escritora dos últimos tempos. Sua expressão, apenas confirmava a Clarice que conheci pelo livro A Hora da Estrela e entre tantos.


Poderia estar procurando vídeos de garanhões de sunga. Mas na minha opinião, os sentimentos e desejos humanos são carnais. Não teria a coragem de me apaixonar por um dos contatos do meu msn ou orkut. Como amar uma pessoa cuja voz nunca ouvi? E muito menos ficaria nua em frente a uma web cam. Embora sexo no Brasil e no mundo se tornou algo tão indiferente quanto a folha que cai de uma árvore.


Sinto que é anormal ser comum. Perfil mais culto, literário ou sofisticados; são constantemente criticados. Homens são chamados de gays ou loucos, as mulheres (principalmente no meu caso), recebem elogios de nerds, papa livros e afins. Será que nós somos loucos ou eles? É tão normal assim se expor?


Prefiro mil vezes que meu perfil receba um poema de Fernando Pessoa, ao colocar " sou gatinha", entra e seja feliz, blá, blá, blá...


Pelo menos faço que alguém entre uma pegada essencial e outra, leia algo de qualidade.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A dualidade da partida


Hoje ganhei esse presente da minha amiga Bruna.
É muito bom saber que alguém lembra de mim.


Partidas e chegadas… O que faz você feliz?, tem estas regras:
1 – Copie e cole o selinho na sua postagem;
2 – Conte o que lhe faz feliz, entre partidas e chegadas, simples assim!;
3 – Conte quem lhe presenteou, se possível adicionando o link para o blog;
4 – Indique 5 blogs para receberem o carinho e avise-os, para que eles possam continuar a brincadeira.
5 – Volte aqui e avise que já está participando, nesse mesmo post.


Agora vou escrever sobre o que faz feliz....

Sou uma típica interiorana (mulher do interior), mas as luzes das grandes cidades me encantam; não que aqui não tenha luz. É a necessidade de respirar novos ares, conhecer pessoas novas e principalmente vontade de construir minha vida.
Parece estranho, tenho pouquissímos amigos aqui em Fernandópolis. Os que mais amo moram longe. Alguns mais perto, outros vejo de vez em quando em uma típica visita de médico. Só que mesmo com a rapidez fico extremamente feliz com um simples abraço, ou pelo fato de vê-los.
Hoje em dia se comunica muito por msn, telefone, facebook e orkut. As letrinhas digitadas não matam a saudade. Quero muito mais que letrinhas, quero a presença.
Não tenho uma história sobre partida, nem mesmo de chegada. 'Mas em uma dessas visitas rápidas a um amigo distante. A volta para minha casa dói demais. Sempre tive vontade de ficar mais tempo, conversar mais e até mesmo esperar o anoitecer.
Embora meus amigos estejam longe, é inacreditável, mas sinto todos aqui comigo. Pelo simples fato de ouvir uma música e ler um livro. Estão todos aqui.
Com o término da faculdade, sinto que a hora da partida chegou, mas sei também que será feito de dualidades. A felicidade e a tristeza.
Felicidade por poder ganhar o mundo
Tristeza por deixar para trás a segurança da casa de meus pais.
Dedico esse presente a três pessoas distantes, mas que eu gosto muito de conversar:
Bruna (minha amiga, confidente e colo nas horas de tristeza), Fernando Pix (o coração mais lindo que já vi. Um grande homem) e Lucas Bergman (um futuro grande cineasta e a pessoa que me apresentou a música mais perfeita do mundo).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tudo é falso

Quando fiz esse blog a intenção era postar assuntos ligados a cultura, política e sociedade. Mas, como todo mundo não é de ferro e eu sou mortal, decidi dedicar esse post aos meus atuais sentimentos.

O mundo em minha opinião está muito difícil de entender. Não sei se sou “quadrada”, mas ainda vivo em uma época em que as pessoas eram mais amáveis. Amizades eram sinceras, as pessoas realmente gostavam das outras. Será que isso aconteceu ou eu confundi a realidade com os livros?



Hoje ando na rua e às vezes sinto falta de energia diante de tanto pessimismo e inveja. As pessoas não cuidam do corpo para ter saúde, mas sim para exibir perfeita forma e fazer sucesso. Nada se cria tudo se copia.


As mulheres se masculinizam bebendo, fumando, “causando” nas baladas para atrair um bonitão. O amor de verdade foi abandonado em umas dessas casas de shows. Será que há felicidade em tudo isso?


Postam fotos photoshopadas que mostram uma beleza forçada, uma euforia passageira e sensualidade vulgar. São tão engraçadinhas!

As pessoas são artificiais? Assim como as falsas árvores de plásticos ou Fake Plastics Trees do Radiohead? O amor é artificial? Hoje eu te amo, amanhã conheci outra mais interessante. Ah! Fui teu amigo, agora enjoei de você, cai fora daqui!

Tudo tem gosto real, mas minha realidade é outra. Não sei amar pela metade, não sei viver de mentira. Não me dêem fórmulas certas, pois sinceramente eu sou diferente.

Pareço uma boneca, mas tenho sentimentos e noção de realidade. Quem pensa que sou “Patricinha” ou “Filhinha do Papai” está redondamente enganado. Apenas gosto de salpicar um pouco de delicadeza no meio de tantos espinhos. Pena que hoje isso é um defeito. O negócio é ser selvagem.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pequenos pedintes de esmolas

O dia das crianças já passou, mas todo dia é dia de falar sobre as crianças. Nossos pequeninos são os responsáveis pelo futuro do planeta. Pena que esses jovens soldadinhos ainda continuem sendo mal cuidados pela sociedade.

Hoje, terça-feira de finados fui ao cemitério da cidade de Estrela d”Oeste com meus pais. Meu pai estacionou o carro e logo veio um pequeno menino todo sujo, com roupas rasgadas pedindo para que ele pudesse olhar do nosso carro em troca de algumas moedas. Minha mãe lhe deu o dinheiro e falou que era para ele comprar um sorvete e não precisava olhar do carro.


É de cortar o coração a situação que muitas pessoas vivem nesse país. Enquanto milionários esbanjam dinheiro comprando carros de luxo, roupas de grifes e desfilam suas jóias nas colunas sociais dos jornais; há pessoas na sociedade que vivem em condições miseráveis a ponto de ter que pedir esmolas nas ruas. Mais triste é saber que a quando a justiça luta a favor das crianças, um juiz tenha que enfrentar tantas barreiras.

A condição das crianças exposta a todos os tipos de perigo existente nas ruas é preocupante. Aqui em Fernandópolis não vejo mais crianças pedindo dinheiro na porta dos cemitérios. Não que eu ou minha família tenhamos medo de ter o carro riscado ou de assalto. Temos medo e vergonha de andar bem vestidos enquanto uma criança faz plantão em frente a um cemitério em troca de moedas para chupar um picolé que custa trinta centavos.


Fico envergonhada de fazer parte de uma sociedade cega, formada por pessoas que só enxergam o que é conveniente e lhe traga algum benefício. Mas, ao mesmo tempo em que sinto vergonha, sou tomada pela vontade de lutar contra a exploração de crianças e principalmente tenho sede de abrir os olhos da sociedade.


Antes de tudo, tenho orgulho de não ver mais nas portas dos cemitérios da minha cidade crianças pedindo esmolas. Pois aqui, na “Cidade Tomada pelo Tráfico”, temos um membro da justiça que se preocupa com nossos pequeninos. Embora leve chuva de criticas e tenha que enfrentar desafios todos os dias para cuidar das crianças de Fernandópolis.


Ao invés de criticar, as pessoas deveriam olhar para a sociedade com um pouco mais de humanidade e deixar trabalhar em paz as pessoas que realmente se preocupam com as crianças do nosso país. Elas não têm o dever de logo cedo serem expostas a pobreza, aos perigos e principalmente a crueldade da sociedade.

sábado, 30 de outubro de 2010

Como pode um anjo

Ela não acreditava em anjos
Até que um dia conheceu um
Ela não acreditava no amor
Até que se apaixonou
Seu coração, sua pele eram frios
O amor os aqueceu
Ela não gostava de rosas
Passou a gostar
Seus dias eram jogados
Passaram a ser uma eterna espera
A espera...
A espera de um olhar
Ela gostava de músicas alegres
Sua vida foi tomada pela melancolia
E ela continua esperando...
Ela era controlada
Perdeu o controle
Gostava do céu azul
Agora gosta do cinza
Nunca tivera o coração disparado
Agora ele bate, bate
Bate de dor
Cada vez que ele a faz chorar
Ela só conhecia o amor dos livros
Não sabia que ele doia tanto
Agora sente a dor
Assim como se a falta dele lhe fosse
a amputação de um membro
Sua falta lhe amputou
grande parte do coração
Como pode um anjo
Como pode um anjo
Fazê-la sentir tanta dor?
Como esse anjo consegue misturar todos os sentimentos?
Como pode....

domingo, 10 de outubro de 2010

A saúde no Brasil agoniza

O horário eleitoral infelizmente se transformou em um debate sobre o aborto, legalização do casamento entre homossexuais e sobre religião. Quem estava indeciso em relação ao seu voto deve estar enrolado em um nó difícil de desatar. Tanto Serra como Dilma estão apelando para o caráter religioso e esquecendo que o Brasil tem problemas mais sérios para serem resolvidos, principalmente a respeito de saúde pública, incluindo o aborto.

Por que não discutir a respeito das políticas de urbanização? Toda chuva várias cidades brasileiras são inundadas, pois não há e não houve planejamento. As cidades foram construídas de forma desordenada e da mesma forma populadas. Quando chove a população fica exposta a doenças. É um problema que também precisa ser resolvido e raramente vejo os candidatos à presidência da república discutir sobre isso.

Os hospitais públicos também não estão cem por cento. É freqüente um paciente entrar com uma doença sem gravidade nos hospitais e morrer por infecção hospitalar. Qual a causa disso? Hospitais lotados, pacientes em corredores, estrutura de UTI’s e emergências precárias. Há poucos meses uma criança de quatorze anos morreu por falta de um aparelho. Motivo? A família não tinha como pagar e as autoridades ficaram brincando de pingue-pongue enquanto a vida de uma criança estava em jogo.

Crianças nas ruas passando fome também é saúde pública. Quantas estão desnutridas a mercê da caridade de instituições não governamentais. Enquanto pezinhos andam descalços nas ruas imundas, sujas pelo papel do consumismo e santinhos de políticos, nossos candidatos aparecem na televisão bem vestidos, penteados, calçados e alimentados; discutindo se deve ou não matar crianças fruto de sexo irresponsável e muitas vezes de crimes nojentos como o estupro.
Parece que tem mais coisa para discutir nos debates da televisão. O aborto é sim um tema importante, mas há outras urgências esperando resolução dos nossos políticos. A questão pública do Brasil está agonizando e isso já faz tempo.